Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.
Por não ter mais espaço, plantava pequenas plantas no banheiro. Mesmo com o pouco lugar para tomar banho e fazer suas necessidades, ficava alegre quando uma plantinha durava mais de uma semana e,às vezes, chegava a dar alguma flor. Olhava aquela florzinha e dava até vontade de apertar como criança fofa ou bochecha de mulher bonita.
Dormia num colchonete meio por opção, meio por querer. Sua cama de taquara dava saudades nas noites de verão. Quando os prédios não desperdiçavam nada além de calor, ele deitava pelado sobre aquele colchonete mais duro que o próprio chão e dormia bem. Sonhava com seus bichos de antes, com o cachorro, com o gato que enroscava nas suas pernas quando estava tomando café na cozinha. Aquele café doce e ralo que despertava os sentidos de quem já tinha calos por todo o corpo. Aquelas horas da manhã que insistiam em ser bonitas por menor número de gentes que a contemplassem ; menina que se troca bonita tendo só o espelho por testemunha; seres que de tanto presenciar a criação passam a fazer parte do criador também. Oiê, boi! Pra junto dos meus eu vou, gritou ele e desapareceu como piche no asfalto e nem seus rastros os bichos sentem mais na sua terra.
Quando o suor castigava sua nuca espessa, procurava uma bica perdida no meio daquele concreto todo. Encontrava torneiras disputadas por mendigos e taxistas e, sem presas, fechava a boca seca subindo no seu transporte. Rezava as rezas que aprendera com quem viveu no mato. Seu assovio era uma ave Maria e seu trabalhar um pai nosso.
Nas poucas tardes ociosas, pegava sua viola desafinada e sem uma corda. Se fechava entre portas e janelas no apartamento. Antes pra se proteger do barulho externo e menos para não castigar os vizinhos. Cantava qualquer coisa. Qualquer coisa fazia chorar aquele coração morto de saudades.
Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Você já pensou quantas vezes os autores que lemos reescrevem seus textos?
Muitas pessoas acreditam que escrever é um dom dado a alguns e que não é possível aprimorar nossa escrita. Que engano!
Vejam um exemplo de que até os grandes escritores reescrevem muitas e muitas vezes o próprio texto. Por que, então, nós não teríamos de fazer isso nos nossos?
A reescrita é essencial. Lembrem-se sempre disso!
Este é um exemplo encontrado no livro Uma vida entre livros - Reencontros com o tempo, de José Mindlin (1997). Lá outros manuscritos de Guimarães Rosa poderão ser encontrados com todos os rabiscos feitos.
Vejam um exemplo de que até os grandes escritores reescrevem muitas e muitas vezes o próprio texto. Por que, então, nós não teríamos de fazer isso nos nossos?
A reescrita é essencial. Lembrem-se sempre disso!
Este é um exemplo encontrado no livro Uma vida entre livros - Reencontros com o tempo, de José Mindlin (1997). Lá outros manuscritos de Guimarães Rosa poderão ser encontrados com todos os rabiscos feitos.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Como começar...
É muito comum, após as propostas de produção textual serem apresentadas, alguns alunos solicitarem auxílio, alegando não saber como começar. Esse é, realmente, um dilema já que as possibilidades de início são diversas.
Uma dica é se concentrar na estrutura do gênero solicitado. Será que deverá elaborar uma crônica, uma notícia, um e-mail, um verbete? Concentre-se na estrutura desse gênero, pois isso o (a) ajudará, por exemplo, a perceber a linguagem a ser usada ( mais técnica, formal, informal, objetiva, subjetiva...) e a maneira como suas ideias serão desenvolvidas.
Uma dica é se concentrar na estrutura do gênero solicitado. Será que deverá elaborar uma crônica, uma notícia, um e-mail, um verbete? Concentre-se na estrutura desse gênero, pois isso o (a) ajudará, por exemplo, a perceber a linguagem a ser usada ( mais técnica, formal, informal, objetiva, subjetiva...) e a maneira como suas ideias serão desenvolvidas.
Assinar:
Postagens (Atom)
